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domingo, 25 de julho de 2010

Hoje é domingo

"Hoje é domingo pé de cachimbo, o cachimbo é de barro bate no jarro , o jarro é fino bate no sino, o sino é de ouro bate no touro , o touro é valente , bate na gente a gente é fraco cai no buraco, o buraco é fundo, acabou-se o mundo…. "
Passei minha infância no interior, correndo na rua, com muitos amigos, tomando banho de açúde (tudo bem... tinha piscina também!), indo pro sítio do meu avô... Domigo... Saudades do meu avô, saudade do tempo em que tudo era bonito, e eu só chorava porque no almoço não tinha ervilha ou porque eu queria comer peixe... saudade do tempo em que indo pro sítio brincava de contar vacas com meu tio e só depois de mais crescida descobri que só eu contava (por isso sempre perdia), saudade de andar só de calcinha, saudade do chão frio da sala depois do almoço, saudade do bolo de laranja com cofeite de açúcar, da época da falta d´agua em que a gente pegava água no carro pipa mas no final jogava os baldes d´agua na cabeça (e levava carão!), dos banhos de chuva, de ir pro cinema assistir os trapalhões, saudade até quando eu fugia da farmácia porque ia tomar injeção, saudade do tempo em que minha cabeça só se ocupava com o que ia brincar, o que ia comer...
Minha cabeça... Ela pensa demais! Tenho ouvido isso com frequência. Ao longo da vida o mundo foi me ensinando a olhar demais, pensar demais, ver as entrelinhas... (de Clarice, é claro!) e o mesmo mundo reclama a minha visão, a minha observação.
As vezes queria ser cega! Não cega das belezas, não cega das paisagens, do caminho... Cega no sentido de ingenuidade, de sem maldade, de ser polyana... Mas será que eu estaria aqui? Seria essa "Dani"?
Quantas perguntas dentro dessa cabeçinha pensante...
Mas enquanto não descubro, fico com Freud " Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir se convence que os mortais não podem ocultar nenhum segredo. Aquele que não fala com os lábios, fala com a ponta dos dedos: nós nos traímos por todos os poros." e horas fico feliz com o que vejo, horas fico triste... e o que é a vida se não esse ir e vir!

2 comentários:

Gabriella M. disse...

Bom, com certeza você não seria ESSA Dani! AUHEUAE
Boa essa do Freud. :p

Borboletas nos Olhos disse...

Ai, amiga, não ver tristeza, não ver maldade, não ver solidão, não ver isso que a gente vê..eu quero também. Nem me importo de eu não ser eu!